O negócio milionário das cervejas artesanais

Data: 16/08/2013
Fonte: ISTOÉ Online


Cada vez mais brasileiros adotam as cervejas especiais e alimentam um mercado que não para de crescer. Algumas empresas já faturam mais de R$ 10 milhões por ano

Mariana Queiroz Barboza
 
Durante quase um ano, Jorge Mario da Silva, 43 anos, mais conhecido como Seu Jorge, músico e ator, dividiu seu tempo entre ensaios, shows e gravações com a experimentação de novos sabores de cerveja. A ideia surgiu num momento de lazer, enquanto bebia com os amigos Dinho Diniz e Otavio Veiga. Na falta de um produto de qualidade disponível no mercado, decidiram criar sua própria bebida. O resultado foi a Karavelle, relançada em 2013 com cinco sabores diferentes, para agradar a pessoas que, como eles, querem mais do que uma latinha gelada. “Isso não significa que esse público seja apenas da classe AAA à B”, diz Seu Jorge. “Queremos converter os consumidores acostumados a marcas massificadas e levá-los a conhecer as artesanais.” Donos de uma fábrica em Indaiatuba, a 90 km da capital paulista, capaz de produzir 100 mil litros por mês, os sócios investiram numa frota própria e utilizam os centros de distribuição de grandes supermercados para levar o produto aos consumidores. Embora representem apenas 0,15% do mercado nacional, as artesanais têm sustentado um crescimento que dobra a cada ano, e a expectativa do setor é que respondam por 2% do negócio de cerveja no País em até uma década.
 
Cardápios com apenas três ou quatro opções do mesmo tipo (provavelmente pilsen, a “loira gelada” preferencial dos brasileiros) e prateleiras de supermercado preenchidas com embalagens e conteúdos parecidos, muitas vezes vindos da mesma fábrica, estão com os dias contados no País. O processo é semelhante ao que aconteceu nos Estados Unidos no início dos anos 1990. À época, as pilsens reinavam absolutas em território americano. “É algo que não tem aroma, cor ou sabor e o jeito de tomar é estupidamente gelado”, diz Eduardo Bier, fundador da Dado Bier, de Porto Alegre. “Até que nasceu um movimento que basicamente propunha o contrário disso: sabor.” A ideia pegou e, passados 20 anos, as microcervejarias americanas respondem por mais de 100 mil empregos no país, 6,5% do mercado em volume e 10,2% em faturamento (leia quadro). Nos EUA, só no ano passado foram abertos 409 negócios relacionados às cervejas artesanais. No Brasil, terceiro maior consumidor de cerveja do mundo, estima-se que existam mais de 200 microcervejarias. O potencial de expansão é, portanto, enorme. Nesta semana, o empresário Sandro Gomes vai lançar em São Paulo e no Rio de Janeiro a cerveja Biritis, em homenagem ao pai, o humorista Antonio Carlos Bernardes Gomes, eternizado pelo personagem Mussum, do quarteto Os Trapalhões. A cerveja terá um ponto de venda especial na quadra da escola de samba Mangueira e os planos incluem a expansão da distribuição para outros Estados, com produção de 50 mil litros nos primeiros seis meses de operação.
 
Pioneiro no setor, Eduardo Bier, de 47 anos, começou em 1995. “Lancei uma cerveja de trigo turva, bem densa, e depois uma vermelha”, afirma. “Eu explicava as diferenças, mas ou as pessoas se apaixonavam ou achavam descabido.” Hoje, segundo ele, tudo mudou. A renda cresceu junto com o poder de consumo, os brasileiros viajaram mais para o Exterior, onde puderam conhecer novos tipos de cerveja, e a moeda forte favoreceu a entrada de produtos importados. “Os brasileiros estão mais abertos a experimentar novos sab
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